Sábado, 2 de Junho de 2012

Uma receita de frango assado e um filme de terror

Aquela teria sido uma manhã de sábado igual a muitas outras se aquilo não tivesse acontecido. A minha mãe fazia as limpezas de fim de semana. Eu, com os meus 10 ou 11 anos, brincava. Vais apanhar um raminho de salsa para o almoço? Saltei o muro e fui a um terreno contíguo à nossa casa, onde a dita erva abundava. Já com a salsa na mão, vi-o. Olhava-me, com um ar ameaçador. As penas coloridas e brilhantes, levantadas, davam o sinal de ataque. Entrei em pânico. Larguei a salsa. E vi-o a correr na minha direção. Grande e imponente. Comecei a gritar, qual heroína de um filme de Hitchcock. Mãaaaae! O barulho do aspirador. Cada vez gritava mais alto. Ele, não sei se instigado pelos meus gritos, cada vez parecia mais determinado. Ele vai matar-me! Grito. Mãaaaaaaaaae!  Socoooooorro! Protejo-me o melhor que posso.  Ele continua a investir. A cena deve ter durado algum tempo. Até à chegada do tio João d'Ávila, que me ouviu, a muitos metros de distância. Onde quer que esteja agora, nunca me esquecerei de que foi ele quem me salvou. Chego a casa. A minha mãe, sem fazer a mínima ideia de que eu estivera à beira da morte, olha para mim e pergunta: A salsa?
Porquê este preâmbulo a esta receita, perguntar-me-ão vocês. Porque, pela primeira vez, comprei um frango do campo. E só quando cheguei a casa vislumbrei aquilo que parecia ser uma crista. É só colocá-la no lixo, pensei. No entanto, reparei que ainda estava presa ao corpo e que teria de ser eu a cortá-la. E, devido ao episódio acima descrito, tenho um problema com cristas. Primeiro, pensei: Ilídia, tens de ser forte. Agarrar o galo pela crista. Mas o meu lado medricas falou mais alto. Marquei o número familiar:
- Mãe?
- Sim.
- Precisava de um favor.
- Diz.
- Precisava que a mãe viesse até cá. Comprei um frango... e veio com a cabeça... e eu não consigo... nem consigo imaginar...
Do outro lado, uma gargalhada. Várias gargalhadas. Felizmente, de seguida, ouvi: Deixa lá, eu vou aí. 

Decapitado o frango, preparei-o segundo a receita que poderão consultar no Receitas ao Desafio.


Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Na horta

Na passada segunda-feira foi feriado nos Açores. Comemorou-se a nossa autonomia. Irónico, nos tempos que correm, comemorar-se a autonomia do que quer que seja :) Numa altura em que andamos todos a depender uns dos outros, não deixa de ter a sua piada :) Mas sim, somos uma região autónoma, e esse facto é comemorado todos os anos, na segunda-feira do Espírito Santo (sétima a seguir à Páscoa).
E um dia em casa sabe sempre bem. Apesar de ter havido momentos de trabalho, houve tempo para descontrair. Andámos pela horta. O meu pai, a cuidar das ervas daninhas que invadem os canteiros. O Manel, a (des)ajudar o avô. 

O meu marido, a tratar das nossas boninas (nome dado por cá às calêndulas, também comestíveis).

 E eu, a colher as primeiras verduras (alfaces, rúcula e outras espécies vegetais cujo nome desconheço). E a fotografar os recantos de sempre. Mas que na primavera têm mais graça do que nunca. 

Para o almoço, uma salada, feita com as nossas coisas. Até rúcula comi, disfarçada no meio das outras ervas. Eu, que não gosto de rúcula. Mas, afinal, os gostos mudam. Pode ser que um dia venha a gostar. Apenas a beterraba e a rosa não foram produzidas na nossa horta. Uma salada (quase) autónoma, portanto :)


Ingredientes
Verduras variadas
beterraba cozida, cortada em fatias
pétalas de rosa (ou outra flor comestível)
sementes de papoila (brancas)
creme balsâmico de trufas
flor de sal e pimenta preta, moída na hora.


Lavar bem as verduras. Colocá-las numa saladeira (se for transparente, o efeito é mais bonito). Temperar com a flor de sal e a pimenta, envolvendo bem. Juntar a beterraba. Polvilhar com as sementes, as pétalas e regar com o creme balsâmico.


Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Uma espécie de muffins para um piquenique

Não sei bem que nome dar a esta receita. Uma espécie de muffins leves, que sabem muito bem. Quer sejam comidos como entrada, quer estejam numa mesa de festa, quer sejam servidos com uma salada num almoço ligeiro. Também me parecem adequados para levar na cesta para o piquenique da Manuela :)


1 embalagem de massa filo
100 g de fiambre, em cubinhos
1 embalagem de queijo cottage (400 g)
2 ovos
Folhas de manjericão, picadas q.b.
Azeitonas q.b.
 Sal e pimenta q.b.
Oléo ou manteiga q.b.

Cortar a massa filo em quadrados de 10 cm. Forrar formas de queques com os quadradinhos de massa. Pincelá-los com manteiga derretida ou óleo e repetir a operação mais duas ou três vezes ( os meus têm três quadrados). Reservar. Misturar os restantes ingredientes e levar ao forno, a 200 graus, durante cerca de 30 minutos.


 Fonte de inspiração: http://honestcooking.com/2011/08/16/swiss-chard-and-cottage-cheese-packets/

Domingo, 27 de Maio de 2012

Uma refeição vegetariana

Não conseguiria ser vegetariana. Gosto de peixe. E de carne. Branca e vermelha. Acho que era capaz de chorar se me dissessem que tinha de passar o resto dos meus dias sem poder apreciar um pedaço de picanha ou um peixinho grelhado. E acho que se não se abusar das quantidades, mal não faz. Claro que muitos vegetarianos têm outras razões para o serem. O amor aos animais, por exemplo. Entendo-os e até os admiro. Mas eu não conseguiria abdicar de certos alimentos para todo o sempre. 
Porém, o facto de gostar de proteína animal não impede que faça uma ou outra refeição vegetariana. E acho que uma refeição só com vegetais pode ter muito sabor. Mas gosto de saber que se me apetecer comer um bife na próxima o posso fazer. 
Este foi o meu almoço de ontem. Venho sempre inspirada da Biofontinhas. Cheguei a casa, expus os legumes e vegetais na bancada. Gosto de observar com atenção todas as coisas boas que trago antes de as começar a guardar no frigorífico. Adoro a mistura de cores. Cenouras coloridas, novamente, acelgas, brócolos, batatas pequeninas (já estou a pensar num assado :), ervas aromáticas, flores comestíveis...


Comecei a visualizar uma mistura possível. Não tinha intenções de publicar este salteado, mas ficou tão bom que acho que merece. Como fiz tudo "a olho", não especifico as quantidades. Espero que gostem desta sugestão simples e saudável.

Salteado de acelgas e brócolos 
Acelgas q.b.
brócolos q.b.
azeite q.b.
4 a 6 dentes de alho
lascas de parmesão
amêndoa laminada
creme balsâmico de tomate seco
flor de sal e pimenta preta q.b.

Cortei as acelgas em tiras de aproximadamente 1,5 cm (incluindo os talos). 
Num wok, salteei os alhos, cortados às rodelas, e o azeite. Juntei os talos das acelgas e os brócolos. Tapei o wok e deixei cozinhar até terem uma aparência tenra. Adicionei as folhas das acelgas, temperei com flor de sal e pimenta preta, moída na hora e deixei cozinhar, tapado, sacudindo o wok de vez em quando. 
Servi com raspas de parmesão e amêndoas laminadas. Reguei com o creme balsâmico de tomate seco.


Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Tacones lejanos* e a felicidade de comprar sapatos

Cozinhar relaxa-me. Quase sempre. Chegar a casa, dirigir-me à cozinha, escolher a banda sonora, acender o fogão. Como que por magia, os problemas começam a  dissipar-se. Normalmente é assim. Não esta semana. Esta semana, não tem apetecido. Umas sopas, muito a custo. Jantares em casa da mãe. Uma ou outra refeição feita à pressa e sem prazer.
Por isso, esta semana, relaxei de outra forma: fui comprar sapatos. E nada como comprar sapatos para relaxar. Antes, uma hora na esplanada com uma amiga tagarela como eu. Risos, confidências, conversas sérias, conversas fúteis. Conversas nossas. De seguida, entrar na sapataria. Como se entra numa galeria de arte. À espera de ver coisas bonitas. Sapatos a tentar-nos. Dar a volta, examinar todos. Criteriosamente. Selecionar. Experimentar. Que lindos que são. Levo estes. Sair, com os sacos. Feliz. Chegar a casa, tirá-los das caixas. Alinhá-los, no armário, ao pé dos irmãos. Contemplá-los, com um sorriso. 
No dia seguinte, usá-los pela primeira vez. Se calhar exagerei no tamanho do salto. Todas as sapatarias deviam ter uma zona com calçada portuguesa. Assim, saberíamos o que esperar. Na sapataria, sentimo-nos poderosas. No dia seguinte, aleijadinhas. E pensamos que já temos idade para pôr o conforto à frente da estética. Depois, olhamos para os sapatos. Tão lindos. E pensamos: Ainda bem que os comprei. 

 * Título de um dos meus filmes preferidos de Almodóvar.

A receita que vos deixo hoje já foi feita há algum tempo. Por que razão a partilho hoje? Porque gelado de morango combina com sapatos. Pelo menos para mim. E porque condiz com as minhas sandálias novas :)


GELADO RÁPIDO DE MORANGO
1 iogurte grego
200 g de natas
700 g de morangos
1 colher (de chá) de essência de baunilha
hortelã pimenta q.b.
150 g de açúcar em pó

Pulverizar o açúcar (caso não o compre já em pó). Triturar os morangos. Juntar os restantes ingredientes e bater bem (na Bimby, uns segundos, na velocidade 10). Colocar na máquina de gelados e congelar, segundo as instruções do fabricante. Passar o gelado para um recipiente com tampa e congelar até estar suficientemente firme para servir com uma colher de gelado, pelo menos 3 horas ou de um dia para o outro.
Caso não tenha máquina de gelados, leve ao congelador e, de vez em quando, bata com a batedeira. Quantas mais vezes o fizer, mais cremoso ficará o gelado.


Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Receita mais ou menos silenciosa

           Final do período. Trabalho todo o dia. E à noite, também. O cansaço é tanto que as palavras não fluem. Nestes dias em que as palavras encravam, o melhor é não dizer muito. Apenas o essencial. Neste caso, deixar-vos a receita do jantar de um destes dias. 


            Bifinhos de frango à indiana



Ingredientes:
600 g de bifes de frango ou perú;
1 colher (de sopa) bem cheia de caril em pó;
50 g de azeite;
1 cebola picada;
½ colher (de sopa) de cominhos;
1 colher (de café) de açafrão da índia;
1 iogurte natural
2 dentes de alho;
Sal grosso q.b.;
1 pedacinho de pimento verde (não usei);
1 colher (de sopa) de coentros frescos, picados;
2 dl de natas;
1 colher (de sopa) de polpa de tomate.
Preparação na Bimby:
Cortar os bifes de frango em pedaços e temperá-los com um pouco do caril em pó.
Picar a cebola, 5 segundos, velocidade 5. Adicionar o azeite e programar 5 minutos, 100 graus, velocidade 1.
Juntar o restante caril, os cominhos, o açafrão, o iogurte e os dentes de alho, previamente esmagados com sal grosso; misturar também o pimento, os coentros picados, as natas e a polpa de tomate.
Em seguida, adicionar os bifinhos de frango e programar 12 minutos, 100 graus, colher inversa. Servir com arroz branco ou Thai Jasmine, como foi o meu caso.

Preparação tradicional:
Cortar os bifes de frango em pedaços e temperá-los com um pouco do caril em pó.
Num tacho, levar ao lume o azeite com a cebola picada e mexer até esta alourar um pouco.
Juntar o restante caril, os cominhos, o açafrão, o iogurte e os dentes de alho, previamente esmagados com sal grosso; misturar também o pimento, os coentros picados, as natas e a polpa de tomate.
Em seguida, adicionar os bifinhos de frango e deixá-los cozer e apurar.
Servir com arroz branco ou Thai Jasmine, como foi o meu caso.

Domingo, 20 de Maio de 2012

Uma flor branca para um escritor tatuado

Tinha de ser ele o meu convidado. Por todas estas razões, não podia ser mais nenhum.
Quando o convidei, aceitou prontamente. Com a simplicidade e humildade que o caracterizam. Atrasou-se um pouco. Desculpe o atraso. Encontrei leitores, ficámos na conversa. Claro que ficaram. Ele é mesmo assim. Longe da imagem de escritor inacessível, que fica a escrever e a fumar cachimbo no alto do seu pedestal, José Luís Peixoto abraça os leitores. Ouve-os. Comove-se com eles. Dá-se. 
Ao vê-lo, todo vestido de preto, tatuagens e piercings, quase consegui adivinhar as conversas dos vizinhos, ao verem-no entrar:  Aquela casa está cada vez mais mal frequentada :)
Durante o jantar, conversámos muito. Falou-me sobre a infância em Galveias, sobre os filhos, sobre a época em que deu aulas. Nos gostos musicais, divergimos. Apesar de me considerar uma pessoa com gostos bastante ecléticos, metal pesado não faz parte da minha cultura musical. Ele, por sua vez, adora. Falou-me dos Moonspell e tentou fazer-me perceber a beleza da sua música. Não me convenceu. Curiosamente, pouco falámos dos seus livros. Falámos de livros de outros. Recordou a emoção que sentiu quando conheceu Saramago, depois de ganhar o prémio com o seu nome. Falámos da nova geração de escritores portugueses: Valter Hugo Mãe, Gonçalo M. Tavares, João Tordo... Elogiou-os. Genuinamente. Nem uma pontinha de competição, algo a que escritores de outras gerações nos habituaram. E ouviu-me. Quis conhecer-me. Muito longe do escritor que acha que só ele tem interesse. Enterneceu-se quando se apercebeu de que o Manel já conhece A mãe que chovia, a sua estreia na literatura infantil. 
Como sobremesa, servi-lhe uma flor de chocolate branco. Nada me pareceu mais adequado a José Luís Peixoto. Uma flor delicada, a contrastar com o negro do fundo. Se bem que, no caso dele, será mais o contrário: um fundo delicado, mascarado numa aparência negra.

Pudim de chocolate branco com cuajada
600 ml de leite
2 pacotes de cuajada
120 g de chocolate branco
1 pacote de açúcar baunilhado

Preparação (Bimby):
Colocar todos os ingredientes no copo da Bimby e programar 10 minutos, 90 graus, velocidade 3. Verter para a forma e levar ao frigorífico para solidificar.

Preparação tradicional (não testada):
Partir o chocolate em pedaços e levar ao lume (brando), juntamente com os restantes ingredientes, mexendo, até obter um creme homogéneo. Verter para a forma e levar ao frigorífico para solidificar.


Partilho convosco mais um dos seus textos sublimes. Daqueles escritos com o coração. Daqueles que nos deixam com um nó na garganta e a pensar que deve ser mesmo isto que se sente.

Desmantelamento de um rio
Arranco os autocolantes da parede do quarto do nosso filho,
como se a faca eléctrica da cozinha me atravessasse o braço.
Sou eu que apago os seus desenhos na parede. Não são riscos,
são desenhos. Há lápis de cera espalhados e partidos pelo chão.
Depois de nós, esta morada terá outros nomes e chegarão cartas
pacientes à caixa do correio. Agora, são impossíveis de imaginar,
como o nosso ontem será impossível de imaginar. Foi aos poucos
que ficou apenas o sofá e as recusas e os armários esventrados.
Foi muito demoradamente que chegaram as noites em que durmo
no sofá, sob um cobertor oferecido pela minha mãe ou pela tua.
Por fim, tenho tempo para habituar os olhos às sombras e avaliar
a devastação, acordar com o frio da madrugada, o esquecimento,
e assistir àquela hora azul em que já não é de noite, mas em que
ainda falta tanto para ser de dia. Despejo no fundo de um saco
tudo o que está naquela gaveta que nunca ninguém arrumou.
À minha volta, há caixotes que servem para guardar os livros,
já estão divididos. Escolho o lugar para pousar os pés. Fizemos
coisas nesta sala vazia, tivemos pensamentos, aprendemos
alfabetos. Resta-me agora o que sempre tive e, como se caísse
desamparado na banheira, prossigo e continuo o meu trabalho,
como se batesse com a cabeça na esquina de uma gaveta,
prossigo e continuo o meu trabalho.

       José Luís Peixoto, in Gaveta de Papéis

Com esta receita, participo em mais uma edição do passatempo "Convidei para jantar...", a decorrer, desta vez, no  blogue De cozinha em cozinha passando pela minha

Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Falsos "Filipinos" ou como enganar as criancinhas

Sexta-feira. Chego a casa, cansada. E carregada. Pasta e livros e dossiês e casaco e guarda-chuva. Mal abro a porta, a voz do Manel: 
- Ó mãe, vamos fazer bolachinhas?
O pai, com um ar culpado: 
- Ele foi comigo às compras. Queria "Filipinos". Achei melhor não. Disse-lhe que fazias. 
Depois de me libertar de toda a tralha, respondo: 
- Está bem, amanhã fazemos. 
- Não, mãe, hoje! Por favor! Promete!
Impossível resistir àqueles olhos azuis brilhantes de excitação. Depois do jantar, mostro-lhe uma fotografia de bolachas, num livro. 
- Não, tem de ser rodinhas, com um buraquinho no meio.
Começo a ficar cansada de tantas exigências. Mas começo a perceber. O pai prometeu-lhe bolachas "Filipinos". Tenho de arranjar umas parecidas. Lembro-me das ferraduras que vi há algum tempo no blogue da Gisela. É só adaptar o formato.


Ingredientes
  • 300g de farinha integral
  • 125g de açúcar amarelo
  • 1 colher de chá de fermento em pó
  • 1 colher de chá de canela
  • 1 colher de sobremesa de erva doce em pó (não usei)
  • 130 ml de azeite
  • 3 ovos + 1 gema para pincelar (não pincelei)


Preparação (na Bimby)
Ligar o forno a 180º e forrar 2 tabuleiros com papel vegetal.
Juntar todos os ingredientes no copo e programar 30 segundos velocidade 6.
De seguida amassar 2 minutos na velocidade espiga. Se a massa agarrar às paredes do copo, a meio do tempo juntar mais um pouco de farinha. 
Retirar a massa para uma superfície plana e tender os biscoitos em forma de "rodinhas", como diz o Manel :)
Levar ao forno nos tabuleiros anteriormente preparados durante aproximadamente 15 a 20 minutos, ou até estarem dourados.
Deixar arrefecer completamente e guardar num frasco ou lata bem fechados.


Preparação Tradicional
Ligar o forno a 180º e forrar 2 tabuleiros com papel vegetal.
Deitar a farinha, o açúcar, o fermento, e a canela numa taça e abrir uma cavidade ao meio.
Deitar o azeite morno e misturar com uma colher de pau. Numa taça à parte, bater os ovos com uma vara de arames e juntar à mistura anterior. Mexer até ligar.
Retirar a massa para uma superfície plana e amassar durante um bocado. Tender os biscoitos em forma de roscas.
Levar ao forno nos tabuleiros anteriormente preparados durante aproximadamente 15 a 20 minutos, ou até estarem dourados.
Deixar arrefecer completamente e guardar num frasco ou lata bem fechados.

Apesar de me ter perguntado pela cobertura de chocolate, igual à dos "Filipinos", provou e gostou. E agradeceu. E, realmente, estas bolachinhas feitas por nós são bem mais saudáveis. E soube bem estar com ele na cozinha. Mesmo depois de um dia de trabalho cansativo.


Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

Doce de nêspera (no tacho :)

Apesar de a nêspera ser um fruto muito abundante nas nossas ilhas, na minha família não há nenhuma nespereira (as minhas ainda são bebés, inférteis, portanto). Nas férias da Páscoa, o meu amigo Duarte perguntou-me se queria algumas. Respondi-lhe logo que sim. Andei com ele a colhê-las e prometi-lhe que lhe daria um frasco de doce (o maior que veem na foto foi para ele :). No dia seguinte, andei a pesquisar receitas. Vi a da Diana e a da Elvira. Inspirada nas delas, fiz o meu próprio doce. Adicionei canela, cardamomo e cravinho. (Noutra vida, devo ter andado em naus, carregadas de especiarias, tal é o meu gosto por tudo o que sirva para aromatizar comida :) Confesso que ainda olhei para a Bimby, mas resisti. Fiz o doce no tacho. À moda antiga. Mexi, vigiei, provei, fiz o teste para ver o ponto. E soube-me tão bem. 


850 g de nêsperas
850 g de açúcar
3 paus de canela
4 bagos de cardamomo (só as sementinhas)
5 cravinhos da Índia


Lavei as nêsperas, cortei-lhes as extremidades, retirei-lhes o caroço e cortei-as a meio.

Com a varinha mágica, triturei-as um pouco (não muito, pois gosto de sentir os pedacinhos de fruta). Levei-as ao lume, com o açúcar e as especiarias. Deixei cozinhar, em lume brando, mexendo de vez em quando. Retirei do lume quando atingiu ponto estrada (para fazer o teste, ponha uma porção de doce num prato frio e passe uma colher. Se ficar uma estrada, que deixe ver o fundo do prato, está no ponto).
Entretanto, fervi os frascos e pu-los a escorrer sobre um pano de cozinha (tendo o cuidado de não tocar com os dedos no interior). Distribuí o doce pelos frascos, tapei-os e virei-os ao contrário, para formar vácuo. Com restos de papel de embrulho e ráfia, decorei os frasquinhos.

Domingo, 13 de Maio de 2012

Viagem ao passado



        Quando toco nestes lençóis, recuo no  tempo. Quando passo a mão pelo linho e pela renda, sou transportada até aos anos 40. Até ao tempo em que os dias eram longos. Longos e sempre iguais. Sento-me à janela, a preparar o meu enxoval, juntamente com as outras meninas. A minha avó e a irmã. Em surdina, trocamos confidências e damos risadinhas.  Cantamos A Moleirinha, de Guerra Junqueiro. Sento-me no estrado, a olhar para a rua de terra batida, onde não se ouvem carros. Apenas vozes de crianças que, descalças, jogam à bola. Uma buzina. É o homem que vem buscar as tesouras para amolar. A mãe, que estava na cozinha, a tender o pão, aparece. As vizinhas assomam à janela. Amontoam-se, à volta do amolador. As meninas continuam a bordar. Afinal já não falta muito para o casamento. E os lençóis têm de estar prontos. Hão de estar. Assim como as toalhas de mesa. E as rendas para as toalhas do lava-mãos. A minha avó está nervosa. Ela, que nunca saiu de casa, mudar-se para uma terra estranha, longe dos pais! Viver com um marido que conhece mal. Apenas de encontros dominicais, sempre muito vigiados. Porém, está feliz. Gosta dele. E é um bom casamento, dizem. A voz imperativa da mãe: Meninas,  para dentro, os soldados vão passar!
        Nos anos quarenta, na Terceira, o maior terror dos pais das meninas de bem eram os soldados que por cá se encontravam. Aproveitavam-se das donzelas,  ingénuas, e punham-se a andar. Assim, cabia aos pais protegê-las, escondendo-as dos olhares perigosos dos mancebos. Segundo contava a minha avó, os pais dela foram muito bem sucedidos. Esses atrevidos nunca lhe puseram a vista em cima! E homem, só conhecera o meu avô!


Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Ilhas de bruma e um estufado à provençal

Conduzo. Lentamente. Muito concentrada, com os olhos postos na estrada, que vai surgindo aos poucos. Um manto muito espesso envolve-a. O carro perfura-o. Cautelosamente. Na outra faixa, duas luzinhas brilham. Aproximam-se. Cada vez maiores e mais brilhantes. Ao volante, pessoas que, como eu, esperam chegar a horas ao trabalho. O que pensarão? Que tempo horrível? Nunca mais é verão? Que tempo bonito? Sigo as luzes do carro que vai à minha frente. Confio nele. Espero que não se despiste. Iria atrás. A névoa vai perdendo força. Dissipa-se completamente. Vislumbro Angra. Estou quase a chegar. Os alunos estão à minha espera. Falamos sobre os amores incestuosos de Carlos e Maria Eduarda. Acaba a aula. Outra escola. Outros alunos. O amor sublime de Blimunda e Baltasar. 
Num dia destes, o que apetece comer? Um estufado. Daqueles que ficam muito tempo ao lume. Com carne e legumes. Aromático. É assim que apetece entrar em casa num dia como o de hoje. Abraçados pelos perfumes que emanam do tacho. Cá dentro, o conforto. Lareira acesa. Velas. Aconchego. Lá fora, ainda a neblina. Ou não vivêssemos nas Ilhas de Bruma:


Estufado à Provençal 
Ingredientes para a marinada:
1,5 dl de vinho tinto
2 folhas de louro
2 pedaços de casca de laranja
5 cravinhos
noz moscada q.b.

600 g de carne de vaca, em pedaços
1 cebola grande, picada
1 colher (de sopa) de azeite
250 g de cogumelos
1 lata de tomate pelado
100 g de azeitonas pretas sem caroço (não utilizei)
10 chalotas, descascadas, fervidas e passadas em manteiga
sal q.b.

Numa tigela, misture todos os ingredientes para a marinada. Junte a carne, cubra e deixe marinar de um dia para o outro (ou durante algumas horas). 
Deite uma colher de sopa de azeite numa caçarola e coloque a carne marinada no azeite. Junte a marinada (exceto a casca de laranja) e deixe cozinhar em lume brando, tapado, durante cerca de 1 hora. Mexa de vez em quando.
Junte o tomate, os cogumelos passados por manteiga, as azeitonas e as chalotas. Deixe cozinhar mais meia hora, tapado. Acompanhe com pão.

Fonte: Um dos muitos papelinhos escrevinhados, cuja origem se perdeu no tempo.

Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

Sábado (Parte II) e uma salada de favas

No último post, a narração da manhã de sábado. Hoje, a da tarde.
Acabado o almoço, fomos para o jardim. Para a horta, mais precisamente. O Manel tem participado nestas sessões agrícolas com grande entusiasmo. Vai acompanhando o crescimento das várias espécies com muita curiosidade. Anda excitadíssimo a vigiar o crescimento de uma planta que, segundo lhe expliquei, daqui a algum tempo dará origem a uma abóbora. Todos os dias quer ir espreitá-la. Não vá a abóbora ter nascido durante a noite :)
Sinto-me feliz por lhe poder proporcionar estas experiências. Incutir-lhe o respeito pela natureza. Fazê-lo perceber o trabalho que é preciso para que a comida chegue à mesa.
No sábado, enquanto o meu pai semeava novas espécies, nós descascávamos favas (vindas da horta familiar, não da Biofontinhas). Ele quis ajudar. E eu deixei. Sujou as mãos. Faz parte. As crianças têm de se sujar. Têm de ouvir histórias, boa música, cultivar o intelecto. Mas têm de brincar às escondidas (esta foi a nossa atividade do domingo de manhã :), jogar à bola, brincar na terra. É importante, este equilíbrio. 

Uma pausa para dar erva ao dinossauro :)


Terminada a sementeira, começou a chover. Obrigada, São Pedro. Que atencioso :)

Chegámos a casa e, depois do banho, preparei esta salada de favas. Com as nossas favas, colhidas pelo meu pai e descascadas por nós. A sensação de orgulho subjacente:) E pensar que só há pouco tempo comecei a gostar de favas.

Salada de favas com presunto e coentros
(para 4 pessoas)

600 g de favas pequenas descascadas
1 ramo de cheiros (usei coentros, aipo, tomilho e uma folha de alho francês)
50 g de folhas de coentros
1 chalota picada (usei 1 cebola chinesa)
molho vinagrete q.b.
100 g de bacon aos quadradinhos
100 g de chouriço aos quadradinhos
200 g de fatias de presunto finas
flor de sal e pimenta moída na hora
croutons de ervas aromáticas (facultativo)

Numa panela (de cozer ao vapor), coloque um pouco de água e um ramo de cheiros e coza as favas.


Deixe arrefecer e retire a pele.
Adicione às favas algumas folhas de coentros e a cebola chinesa. Tempere como  molho vinagrete, a pimenta, a flor de sal e reserve.
Numa frigideira, salteie o bacon e, a meio da fritura, adicione o chouriço. Retire e reserve sobre papel absorvente.
Numa outra frigideira, frite as fatias de presunto. Depois, deixe-as arrefecer e corte-as em pedaços pequenos. Reserve duas tiras compridas de presunto para decorar o prato (esqueci-me).
Coloque as favas temperadas numa saladeira e adicione o bacon, o chouriço e o presunto. Envolva bem, mas delicadamente. Retifique os temperos.
Para finalizar, decore a salada com as tiras compridas de presunto e as folhas de coentros. Se pretender, adicione croutons de ervas aromáticas. 


Fonte: Livro de Receitas Continente Magazine (versão para Ipad - este livro consiste numa compilação das receitas das várias revistas, organizadas por categorias. Creio que não existe nenhuma versão em papel. Pelo menos, desconheço.)

Sábado, 5 de Maio de 2012

Coisas raras

Quem acompanha este blogue provavelmente já conhece o meu ritual dos sábados de manhã: a ida à Biofontinhas. Quase sempre com o Manel. Momentos nossos, a dois. Porque é importante estarmos a três. Mas também a dois. Eu com o Manel. Eu com o pai do Manel. O Manel com o pai. Durante a viagem conversamos muito. Ele faz-me perguntas. Eu respondo-lhe. Eu faço-lhe perguntas. Ele responde-me. Ouvimos música. Comentamos a música que ouvimos. Momentos bons, em suma.
Na quinta, ajuda-me a escolher os legumes e vegetais e vai-os nomeando: brócolos, batatas, cenouras... Conversa com o senhor João, a Maria João e o Avelino. Passeia comigo pelas estufas. Vamos ver os peixes.  Prova flores comestíveis. E gosta :) Vamos, com o Avelino, colher as "coisas raras", de que ele sabe que gosto:)
 Hoje, trouxemos um pouco de uma das plantas mais bonitas que já vi, a planta do gelo, assim denominada por parecer estar coberta de geada.

Trouxemos ainda cenouras coloridas. Para além das normais, cor de cenoura, trouxemos brancas, roxas e avermelhadas (samurai).

Cheguei a casa e salteei-as para o almoço, juntamente com couves chinesas, colhidas pelo Avelino, que me disse: Ficam muito boas salteadas com as cenouras. Eu obedeci. Ele tinha razão. Tem sempre ;) Muito obrigada, continua a ser um prazer visitar-vos. 

Salteado de cenouras e couve chinesa
(não indico quantidades, pois foi tudo feito "a olho")


- cenouras (de preferência, várias espécies)
- 1 molho de couves chinesas
- azeite q.b.
- 2 dentes de alho
- 1 cebola chinesa (podem substituir por chalota ou spring onion)
- tomilho fresco q.b.
- flor de sal e pimenta preta, moída na hora

Raspei as cenouras e cortei-as em quatro partes, no sentido longitudinal.
Num wok, coloquei azeite, alho picado e a cebola, cortada em rodelas. Deixei refogar. Adicionei as cenouras, temperei com a flor de sal e a pimenta e tapei. De vez em quando, sacudia o wok. Quando as cenouras estavam quase no ponto, juntei as couves chinesas, inteiras, folhinhas de tomilho, tapei e voltei a sacudir o wok. Deixei cozinhar mais alguns minutos. Servi, juntamente com arroz de açaflor, a acompanhar frango assado.

Quarta-feira, 2 de Maio de 2012

Uma Quiche Lorraine para o mestre do suspense

Desde manhã que os pássaros andavam diferentes. Para além de me parecerem em maior quantidade do que o habitual, estavam todos alinhados nos fios de eletricidade, com um ar ameaçador. 

                                                         Imagem retirada daqui

Acordara apreensiva, com uma sensação estranha. E aqueles pássaros pareciam estar a agoirar qualquer coisa. Oxalá este jantar corra bem, pensei. O meu marido não achou muita graça ao facto de ter uma personagem tão sombria em casa: Aquele homem causa-me arrepios. E sabes da fama dele com as mulheres. Respondi-lhe que não se preocupasse. Só as loiras corriam perigo.
Mal ouvi o toque da campainha, dirigi-me à porta. Através do vidro, pude perceber a silhueta inconfundível do meu convidado.

                                                Imagem retirada daqui 

Pedi-lhe que entrasse. Seguiu-me, em silêncio. Apesar de nervosa, eu estava fascinada por ter em casa o mestre do suspense, um dos realizadores mais importantes do século XX, de cujo trabalho sou uma admiradora fervorosa. Servi-lhe uma Quiche Lorraine, um dos pratos preferidos do homem que um dia declarou "I am not a heavy eater. I'm just heavy, and I eat".
Durante o jantar, falámos dos primeiros anos em Inglaterra, da mudança para os Estados Unidos, recordámos filmes, personagens, atores... Perguntou-me qual o meu filme preferido. Depois de uns segundos de reflexão, respondi:  A corda. Pareceu-me ter gostado da minha escolha. Em termos técnicos, foi dos mais difíceis de filmar. E muito inovador para a época, declarou, com orgulho. Entusiasmou-se quando falou de Grace Kelly. Quando mencionei Tippi Hedren, desconversou. Afinal o que se diz deve ser verdade, pensei.
No fim do jantar, mostrei-lhe a minha coleção de filmes e de livros sobre a sua obra. Pareceu-me impressionado e reconhecido.


O ar sombrio raramente o abandonou. Mesmo quando dizia uma piada, fazia-o num tom sinistro. E até quando me agradeceu o jantar, fê-lo com um sorriso ambíguo, difícil de decifrar.
Depois de nos despedirmos, pensei que nunca tivera um jantar tão estranho. E enquanto atravessava o corredor, em direção ao quarto, arrepiei-me. A sensação de que alguém me seguia. Vou tomar um duche, a ver se acalmo. Inexplicavelmente, decidi tomar um banho. Ainda bem. Talvez tenha sido a minha salvação.


Quiche Lorraine (sem crosta)


Ingredientes para 6 pessoas
- 3 ovos grandes
- 120 g de farinha de trigo
- 500 ml de leite
- 100 g de queijo ralado em fios (emmental, gruyère...)
- 100 g de fiambre cortado em cubos pequenos
- 100 g de bacon cortado em palitos finos
- pimenta preta moída no momento

Preparação

Pré-aquecer o forno a 180ºC. Forrar uma tarteira com papel vegetal e reservar.

Numa tigela grande, misturar muito bem os ovos e a farinha com o auxílio de uma vara de arames. Juntar o leite aos poucos, mexendo constantemente.

Temperar com pimenta. Adicionar o queijo ralado, o fiambre e o bacon. Misturar novamente.

Espalhar o preparado na tarteira e levar ao forno por 40 minutos, a 180ºC.

Retirar a quiche do forno. Deixar repousar por 10 minutos antes de desenformar e fatiar. Servir a quiche quente, morna ou fria. Acompanhar com salada mista.

Fonte: http://elvirabistrot.blogspot.pt/2009/04/quiche-lorraine-sem-crosta.html

Com esta receita, participo na 4ª edição do passatempo "Convidei para jantar...", promovido pela Ana, a decorrer, este mês, no  blogue Menu Verde

Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

Home again


        Uma espécie de teste, esta viagem. A primeira separação do meu filho. A primeira vez que dormimos longe um do outro. Não saber como ele ia reagir. Não saber como eu ia reagir. Reagimos bem. Portámo-nos bem. De forma racional. Com saudades, é claro. Mas conscientes de que era por pouco tempo. E que tinha de ser. Ele, com a promessa de que eu lhe traria um presente. Eu, com a noção de que eram apenas três dias. E de que esta era uma viagem necessária.
        No regresso, o abraço a três de que o Manel (e nós) tanto gosta. E os presentes. E os mimos. E a história lida por mim. A mãe que chovia, de José Luís Peixoto, que veio comigo de Ponta Delgada. E as minhas memórias de momentos de trabalho árduo que se entrelaçaram com momentos de diversão. Os reencontros com amigos. Uns, de longa data. Outros, mais recentes. De comida, não há registos. Pelo menos fotográficos. Demasiado ocupada para me lembrar de fotografar pratos. Muitas conversas para pôr em dia. Muitas aventuras para recordar. Muitos abraços. Muitas saudades.
         Sabe bem ir. Mas que bem que sabe voltar. 

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

Come morangos, pequena; come morangos!


        O mote foram os morangos maravilhosos que comprei ontem a uma vendedora ambulante. Foi só acrescentar um iogurte grego e a última granola que fiz. E foi este o meu pequeno-almoço de 25 de abril de 2012. Na televisão, as cerimónias do dia. Manuel atentíssimo (o meu, que o outro não foi às cerimónias:), Paulo de Carvalho com o seu E depois do adeus, os cravos, os nossos políticos, nos seus fatos sérios e solenes. 
        Enquanto corto os morangos, sou assolada por um monte de interrogações. Todas sem resposta. Pergunto-me o que comemoraremos daqui a 38 anos. O 25 de abril ou outra revolução qualquer. Não sei. Só sei que tenho pena do que este país se tornou. E continuo a cortar morangos. E penso que a Assunção Esteves tem um corte de cabelo bem giro.

Granola 
(a partir desta)

200 g de flocos de aveia
1/2 chávena de bagas goji
1/2 chávena de frutos secos (usei nozes, avelãs, nozes pecan, passas e amêndoas)
50 g de coco ralado
1 colher (de sopa) de essência de baunilha
80 g de mel + 80 g de xarope de milho (podem usar só mel ou mel e açúcar)
2 colheres (de sopa) de água
1 colher (de sopa) de canela moída
1 colher (de chá) de cardamomo
1 pitada de noz moscada, recém-moída

Aqueça previamente o forno a 180 graus e unte o tabuleiro.
Numa tigela, misture os flocos de aveia, as bagas goji, os frutos secos e o coco ralado.
Noutra tigela maior, misture todos os ingredientes molhados e as especiarias.
Junte os ingredientes secos aos molhados.
Espalhe a mistura no tabuleiro, de forma regular, usando uma espátula para a alisar.
Leve ao forno durante cerca de 40 minutos, vigiando sempre. Quando começar a alourar, volte a mistura com uma espátula para que torre regularmente de ambos os lados.
Depois de pronta, retire do forno, deixe arrefecer e junte os damascos (ou as ameixas, como foi o meu caso).
Guarde num recipiente hermético.


Depois, é usar como a sua imaginação lhe ditar. Com leite, com iogurte, com fruta, comido do frasco. Como bem entender. Afinal, hoje comemora-se a liberdade.


Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

Uma sopa

"Blimunda levantou-se do mocho, acendeu o lume na lareira, pôs sob a tempe uma panela de sopas, e quando ela ferveu deitou uma parte para duas tigelas largas que serviu aos dois homens, fez tudo isto sem falar, não tornara a abrir a boca depois que perguntou, há quantas horas, Que nome é o seu, e apesar de o padre ter acabado primeiro de comer, esperou que Baltasar terminasse para se servir da colher dele, era como se calada estivesse respondendo a outra pergunta, Aceitas para a tua boca a colher de que se serviu a boca deste homem, fazendo seu o que era teu, agora tornando a ser teu o que foi dele, e tantas vezes que se perca o sentido do teu e do meu, e como Blimunda já tinha dito que sim antes de perguntada, Então declaro-vos casados. O padre Bartolomeu Lourenço esperou que Blimunda acabasse de comer da panela as sopas que sobejavam, deitou-lhe a bênção, com ela cobrindo a pessoa, a comida e a colher, o regaço, o lume e a lareira, a candeia, a esteira no chão, o punho cortado de Baltasar. Depois saiu."
José Saramago, Memorial do Convento

Com uma sopa, começa uma das histórias de amor mais bonitas da (nossa) Literatura.


Sopa do campo
Ingredientes (para 8 pessoas)
100 g de alho francês, cortado às rodelas
1 cebola cortada ao meio
70 g de bacon em tiras
40 g de azeite
200 g de couve lombarda, cortada em juliana
1 lata de feijão encarnado, escolrrido (540 g)
300 g de cenoura, em pedaços
100 g de nabo, em pedaços
1 caldo de carne
700 g de água

Preparação na Bimby
Coloque no copo o alho francês, a cebola e pique 3 segundos, velocidade 5. Adicione o bacon, o azeite e refogue 5 minutos, varoma, velocidade 1. 
Na varoma, coloque a couve lombarda em juliana, metade do feijão escorrido e reserve. 
Junte a cenoura, o nabo, o caldo, a água e metade do feijão já escorrido. 
Coloque a varoma e programe 25 minutos, varoma, velocidade 1. Retire e reserve.
Triture a sopa durante 20 segundos, velocidade 6. De seguida, programe mais 40 segundos, velocidade 10.
Junte à sopa a couve, o restante feijão reservado e sirva. Decore com tiras de bacon tostado.

Preparação tradicional
Coza a couve lombarda e reserve. Escorra o feijão.
Refogue o alho francês, o bacon e a cebola, picada. Junte a cenoura, o nabo, o caldo, a água e metade do feijão já escorrido. Deixe cozer. No fim, passe a farinha mágica, até obter um creme. 
Junte à sopa a couve, o restante feijão reservado e sirva. Decore com tiras de bacon tostado.

Fonte: Cozinhar à minha maneira, Vorwerk




Sábado, 21 de Abril de 2012

O prometido é devido

No dia de Páscoa, na Suécia, a Ana publicava uma imagem destes cupcakes. Lindos, com uma decoração alusiva à quadra. A muitos quilómetros de distância, numa ilha perdida no meio do Atlântico, uma das suas leitoras abria o post, e o filho, um menino de três anos, deixava-se deslumbrar pelas imagens. Faz, mãe! Quero uns iguais! A mãe escreveu um comentário à Ana, a contar o episódio. E prometeu ao menino que os faria. Não tardou muito, a receita apareceu na padaria. Este fim de semana, a leitora do blogue da Ana e o seu menino puseram mãos à obra e foram pasteleiros por uma tarde. E as amêndoas não puderam faltar. Afinal, eram assim os cupcakes que o menino tinha visto no ecrã do computador, umas semanas antes.
O menino e a mãe agradecem à Ana a simpatia e a receita deliciosa :) 


A receita foi seguida à risca. A única alteração foi o tamanho. Estes são Small :)

Uma imagem do pequeno pasteleiro em plena atividade:


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Acerca de mim

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Na casa dos trinta. Casada. Professora. Um filho. Dois gatos. Dois cães.